Alice em 3D
O excêntrico diretor de filmes sombrios e visionários acha que esquisito mesmo é o mundo fora das telas. "Tudo está cada vez mais estranho, e não mais normal", disse Tim Burton, 51, à Folha, às vésperas do lançamento de seu novo filme, "Alice no País das Maravilhas".
Burton criou uma versão 3D da obra de Lewis Carroll repleta de distorções bizarras e personagens fantásticos. "A história é esdrúxula o suficiente! Não precisei fazer nada." O filme custou à Disney cerca de US$ 240 milhões (R$ 420 milhões). Estreou nos EUA e Europa na sexta-feira e bateu o recorde de "Avatar" em arrecadação nas salas 3D. "Alice" chega ao Brasil no dia 23 de abril.
Em uma mesa-redonda de que a Folha participou, Burton falou sobre Carroll, 3D e o terreno que explora: o lusco-fusco entre sonho e realidade.
PERGUNTA - A fronteira entre sonho e realidade, muito forte em "Alice", é o território preferencial de seus filmes. Por que?
BURTON - Porque o mundo está ficando mais estranho, e não mais normal! E as pessoas continuam tentando separar realidade de fantasia, quando essa divisão está cada vez mais embaralhada por conta da internet e da TV. Para mim, fantasia sempre foi uma forma de explorar a realidade. Por isso gostei tanto de "Alice", uma história em que imagens bizarras criadas pela mente são, no fim das contas, reais e servem para lidar com questões concretas.
História
O clássico infantil 'Alice no País das Maravilhas’, que também conta com uma produção live-action da Disney, onde uma menina curiosa cai na toca de um coelho, já marcou muitas gerações de telespectadores. Essa obra da literatura infantil, escrita por Lewis Carroll, teve a história inspirada em uma pequena garota chamada Alice Liddell.
Tudo começou no ano de 1862, mas especificamente no mês de julho, quando Lewis estava em um passeio de barco pelo Tâmisa, junto com Robinson Duckworth e mais três meninas. Na ocasião, se tratava de Alice, Edith e Lorina Liddell.
O passeio, que tinha planos de terminar com um piquenique em Godstow, a pequena Alice, com apenas 10 anos, pediu para Lewis que constasse uma história para ela. Nesse momento, ao contar a história, Carroll começou a falar a história de Alice, uma menina que havia caído numa toca de coelho e viajado para um mundo repleto de fantasias.
Ao ouvir aquela história, Alice e as demais meninas gostaram tanto que pediram para que Charles, nome verdadeiro de Carroll, escrevesse em um papel o que acabara de falar para assim, sempre que ela desejasse, pudesse ler.
Ao ouvir aquela história, Alice e as demais meninas gostaram tanto que pediram para que Charles, nome verdadeiro de Carroll, escrevesse em um papel o que acabara de falar para assim, sempre que ela desejasse, pudesse ler.
Dez anos antes da publicação, em 1855, Carroll havia se aproximado da família de Alice por intermédio do pai das três irmãs, além de ter se tornado amigo do irmão mais velho da menina que inspirou a obra, Harry Liddell. Assim como fazia com seus irmãos, Carroll tinha o hábito de levar as crianças em piqueniques, e ainda contar histórias para elas.